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Reprodução equina

Início da estação de monta: como preparar as receptoras e doadoras

Com a chegada da estação de monta, muita gente corre atrás do tempo perdido. Mas quem trabalha com criação sabe: é agora que se define boa parte dos resultados do próximo ano. E pra te ajudar a se organizar sem enrolação, preparei um guia direto ao ponto com o essencial para preparar suas receptoras e doadoras.

Por que a preparação antes da monta é tão importante?

A gente costuma ouvir por aí que é só "dar uma ração boa" que tá tudo certo. Mas a verdade é que o sucesso da reprodução começa bem antes da inseminação ou da coleta. O preparo das éguas e doadoras influencia diretamente na taxa de prenhez, na qualidade dos embriões e até na saúde do potro que vai nascer lá na frente.

1. Avaliação de condição corporal

Antes de qualquer coisa, observe a condição corporal da égua. Nem gorda demais, nem magra demais. O ideal é que ela esteja em boa forma, com escore entre 5 e 6 (numa escala de 1 a 9). Isso facilita a ciclicidade e aumenta as chances de sucesso logo nas primeiras tentativas.

2. Exames reprodutivos

Nada de pular essa parte. Um exame ginecológico completo, feito por um médico-veterinário, pode identificar cistos, infecções ou qualquer outro problema que atrapalhe a reprodução. Com as doadoras, esse cuidado é ainda mais importante, já que serão coletadas diversas vezes durante a estação.

3. Ajuste na nutrição

A alimentação tem papel direto na fertilidade. Éguas mal nutridas produzem menos e têm mais chance de reabsorver embriões. Com meus clientes sempre trabalhamos para ajustar o plano alimentar, incluindo energia, proteína, vitaminas e minerais (principalmente selênio, zinco e vitamina E).

4. Cuidados com vermifugação e vacinação

Vermifugar e vacinar antes da estação ajuda a evitar que a égua perca peso ou adoeça durante o processo. Lembre-se também de verificar o protocolo da vacina contra rinopneumonite e leptospirose, principalmente se o objetivo for garantir prenhez com segurança.

5. Controle do cio e programação

Com ajuda de exames e protocolos hormonais, é possível organizar o manejo e otimizar o tempo, tanto na monta natural quanto na inseminação ou transferência de embriões. Isso evita desperdício de sêmen, de tempo e de paciência.


Se você quer garantir melhores índices na reprodução este ano, comece agora. Prevenir é mais barato (e mais eficiente) do que correr atrás depois que o prejuízo aparece.

Se quiser um plano simples de preparo para sua tropa, é só fazer uma aplicação no link aqui em baixo e se você for selecionado marcaremos seu diagnóstico.

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Criação de potros

Sinais de alerta em potros nas primeiras 72 horas de vida

As primeiras 72 horas de vida de um potro são cruciais para sua saúde e desenvolvimento. É nesse período que podem surgir sinais precoces de doenças neonatais, falhas na ingestão de colostro ou até mesmo problemas congênitos. Para você que é criador, identificar esses sinais a tempo pode ser a diferença entre um potro saudável e uma perda precoce.

Por que os primeiros dias são tão importantes?

Logo após o parto, o potro depende exclusivamente do colostro para adquirir imunidade. Além disso, seu organismo está se adaptando ao ambiente externo e ainda é extremamente vulnerável a infecções, desidratação e alterações metabólicas. Por isso, a observação constante e criteriosa é fundamental.

Agora já separa papel e caneta e anota aí o que você precisa observar:

Principais sinais de alerta em potros recém-nascidos

1. Demora para levantar ou mamar

Um potro saudável deve conseguir ficar em pé em até 2 horas após o nascimento e mamar no máximo até 3 horas de vida. Se ele demora mais que isso, acenda o sinal vermelho. Pode ser um indicativo de que algo está muito errado.

2. Sucção fraca ou ineficiente

Mesmo que ele tente mamar, se não conseguir sugar adequadamente, há risco de não ingerir colostro suficiente. Isso compromete a transferência de imunidade e aumenta a chance de septicemia.

3. Letargia ou sonolência excessiva

O potro deve ser ativo, curioso e responsivo. Se ele fica deitado por muito tempo, parece "molinho" ou indiferente ao ambiente, isso pode indicar infecção, hipoglicemia ou falha na termorregulação, o potro dorme sim várias vezes ao dia, porém, quando ele acorda é muito ativo, se atente nisso.

4. Temperatura corporal anormal

A temperatura ideal do potro é entre 38,5°C e 39,5°C. Valores abaixo disso podem indicar hipotermia, enquanto temperaturas acima sugerem infecção ou inflamação.

5. Ausência de urina ou fezes nas primeiras horas

O potro deve urinar e eliminar o mecônio (as primeiras fezes) nas primeiras 12 a 24 horas de vida. Se isso não ocorrer, é importante que você intervenha o quanto antes.

6. Distensão abdominal ou desconforto evidente

Barriga muito cheia, sinais de dor ou tentativas de rolar podem ser sinais de cólica, retenção de mecônio ou enterocolite. Esses quadros podem evoluir rapidamente e são emergências.

7. Secreções nasais ou dificuldade respiratória

Corrimento nasal, respiração ofegante, esforço para respirar ou batimentos das narinas são sinais claros de alerta. Pneumonia neonatal pode ser silenciosa no início, mas letal se não tratada a tempo.

Conclusão: a vigilância salva vidas

O potro pode parecer bem nas primeiras horas, mas pequenas alterações podem indicar grandes problemas. Criadores atentos, têm muito mais chances de sucesso na criação.

Dica bônus:

📌 Você precisa conferir se o potro adquiriu imunidade através de testes específicos (IgG check por exemplo), e sempre agir o mais rápido possível. Com potro todo tempo é pouco.


No meu material tem todo esse passo a passo disponível, vou deixar aqui no link abaixo para compra.

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Criação de potros

Potro não é um cavalo pequeno!

O que eu mais vejo na rotina é são potros que logo após o nascimento são tratados como o restante da tropa. Te deixo uma pergunta aqui, você acha que isso está certo?

Você deve estar pensando: tá mais e dai, o que faço com essa informação? Vamos para o que interessa, vou te dar algumas dicas do QUE FAZER QUANDO O POTRO NASCE.

Primeiro de tudo! Avalie se ele mamou o colostro. Como você pode fazer isso? Verificar se está com a barriga cheia e o úbere da égua está vazio. A partir daí você precisa avaliar se ele adquiriu imunidade, pode ser através do IgG test ou TSZ.

Se o potro não tiver adquirido imunidade suficiente é preciso entrar com plasma hiperimune ou o pelo menos o plasma da própria mãe.

A cura do umbigo é indispensável e deve acontecer a partir do momento que você identificou que o potro nasceu. O que gosto de usar para curar é: álcool 70% misturado com IODO 10%, o segredo está em realizar o processo até esse umbigo cair.

A partir daí você pode começar a pensar em estratégias de manejo nutricional para que esse animal possa se desenvolver melhor, eu gosto da utilização do crepper. Mas esse assunto fica para outra publicação.

Resumindo: tenha todos os cuidados necessários com esse animal. Ser instruído ajuda muito. Por isso, criei um material com aulas, planilhas e passo a passo de como cuidar do potro dos nascimento ao desmame. Para comprar é só clicar no link e conhecer um pouco mais.

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Cavalos atletas

Cavalo Gordo não é sinônimo de cavalo saudável.

Ai mas pra um cavalo ser bonito ele precisa ser gordo. Será que precisa mesmo?

Na minha rotina infelizmente o que mais vejo é essa busca incansável do criador ou usuário de cavalo para que ele ganhe peso, fique gordo e etc. O problema é que isso na verdade não representa benefício algum para o animal, pelo contrário só ajuda ele ficar mais predisposto a desenvolver doenças.

Sabe a laminite? Ela por exemplo pode ocorrer por excesso de amido na dieta (muita ração) ou até mesmo por excesso de peso. E ainda piora, cavalos que tiveram laminite ficam com sequelas para o resto da vida, sem contar no tratamento que é uma verdadeira luta diária e com custos muito altos.

Sem contar os riscos de cólica devido a essa alimentação altamente energética, e com isso a gente entrar em um ponto muito importante: síndrome metabólica, o maior pesadelo de donos de éguas doadoras. Mas pra quem ainda é meio leigo no assunto o que posso te afirmar é que infelizmente está cada vez mais comum animais apresentarem essa afecção e ela atrapalha não só no desempenho reprodutivo, mas também no atlético e no animais como um todo.

Animal gordo só representa prejuízo pro haras, tanto na parte de custo quanto na performance.